Por que gestores experientes continuam tomando decisões erradas sobre suas operações?
Muitos gestores acreditam que, depois de anos liderando equipes, operações e processos, desenvolvem a capacidade de enxergar rapidamente onde estão os problemas de uma empresa.
E, de fato, a experiência ajuda. Mas não é um fator determinante. Existe uma diferença importante entre conhecer uma operação e conseguir enxergar tudo o que está acontecendo dentro dela.
À medida que as empresas crescem, os processos se tornam mais complexos, os canais se multiplicam e o volume de informações aumenta. Nesse cenário, a experiência continua sendo um diferencial. Mas, sozinha, já não é suficiente para sustentar boas decisões.
À primeira vista, essa lógica parece fazer sentido. Afinal, profissionais experientes já enfrentaram crises, construíram equipes, acompanharam ciclos de crescimento e acumularam conhecimento suficiente para reconhecer padrões com rapidez.
O problema é que o mercado mudou. As operações mudaram. O volume de informações mudou. E a velocidade das decisões também. Hoje, mesmo líderes altamente experientes podem cometer erros relevantes quando precisam tomar decisões baseadas apenas em percepção.
Não porque lhes falta competência. Mas porque nenhuma experiência individual é capaz de acompanhar a complexidade de uma operação moderna sem visibilidade adequada.
É exatamente nesse ponto que nasce um dos problemas mais caros da gestão contemporânea: o achismo. O achismo raramente se apresenta de forma explícita. Nenhum gestor inicia uma reunião dizendo que está tomando decisões sem informações suficientes.
Na prática, ele surge de maneiras muito mais sofisticadas.
“Eu acho que nosso problema está na geração de leads.”
“Eu acho que o time comercial está sobrecarregado.”
“Eu acho que estamos perdendo clientes por preço.”
“Eu acho que precisamos contratar mais pessoas.”
“Eu acho que o problema está no atendimento.”
O problema não está na hipótese.
Toda decisão começa por uma hipótese.
O problema começa quando a hipótese passa a ser tratada como verdade sem evidências suficientes para sustentá-la. Quando isso acontece, empresas passam a investir recursos, energia e tempo na direção errada.